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30 anos
na bolsa de valores

Leia a mensagem do Presidente do Grupo a propósito da celebração dos 30 anos de Jerónimo Martins em Bolsa.
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"Olhando para trás, há que reconhecer que essa decisão de admis­são à negociação no mercado de capitais representou muito mais do que uma operação de financiamento."

Caros Stakeholders,

A entrada de Jerónimo Martins na Bolsa de Valores de Lisboa foi  uma decisão de Alexandre Soares dos Santos, meu pai, como foi dele a responsabilidade última pela visão e a estratégia que guiaram o forte crescimento deste Grupo durante mais de 45 anos.

A decisão de abrir parte do capital de Jerónimo Martins ao mer­cado traduziu, essencialmente, uma estratégia de reorganização da estrutura accionista para a afirmação de uma liderança clara e de finan­ciamento de uma ambição de crescimento, dentro e fora de Portu­gal, num contexto de recente adesão à então Comunidade Económica Europeia.

O espaço para crescer numa economia em acelerado desenvolvi­mento estava disponível para quem tivesse a coragem de acreditar que os novos instrumentos financeiros, então emergentes, seriam decisivos para viabilizar os fortes investimentos que eram necessá­rios. O recurso, que já então se podia antever, a aumentos de capital e emissões de empréstimos obrigacionistas, teria de ser o caminho para quem não queria depender em excesso do endividamento ban­cário, como já era o caso de Jerónimo Martins.

"A entrada na Bolsa exigiu da gestão um compromisso de transparência e de respeito, uma disci­plina reforçada e o aperfeiçoamento de uma cultura de diálogo e de prestação de contas."

Olhando para trás, há que reconhecer que essa decisão de admis­são à negociação no mercado de capitais representou muito mais do que uma operação de financiamento. É certo que nos permitiu começar a desenhar a estratégia de internacionalização que se con­substanciaria na entrada na Polónia — desde há vários anos, o prin­cipal negócio do Grupo e também o seu mais importante motor de crescimento e de rentabilidade —, e também (embora com um des­fecho infelizmente bem diferente) no Brasil.

Da mesma forma, tor­nou possível a sucessão de aquisições e o crescimento orgânico com que fomos construindo a nossa posição de liderança da Distribuição Alimentar em Portugal. Mas a entrada na Bolsa também — e a impor­tância deste ganho deve ser expressivamente sublinhada — exigiu da gestão um compromisso de transparência e de respeito, uma disci­plina reforçada e o aperfeiçoamento de uma cultura de diálogo e de prestação de contas, não apenas relativamente aos accionistas (maio­ritário e minoritários), como a todas as partes interessadas na vida e actividade das empresas.

O escrutínio permanente a que um Grupo com a dimensão de Jerónimo Martins está sujeito — seja por parte de accionistas, inves­tidores, analistas, colaboradores, consumidores, comunicação social, organizações não-governamentais, parceiros ou outros — foi sempre um incentivo a que nos tornássemos cada vez melhores. A exposição que a presença no mercado de capitais acarreta desenvolveu a nossa autoconsciência e, com ela, a auto-exigência e o sentido de respon­sabilidade.

"Na última década, a presença de Jerónimo Martins em muitos dos principais índices internacionais de sustentabilidade é, para accionistas e colaboradores, simultaneamente fonte de respon­sabilidade acrescida e de orgulho."

Orgulhamo-nos da nossa história de criação de valor e de, na maior parte destes 30 anos, termos sabido estar à altura das expectativas da­queles que nos confiam o seu investimento. Isto significa, claro, e em primeiro lugar, sermos rentáveis. Contudo, sabemos bem que, num mundo crescentemente incerto e complexo, os resultados financei­ros são uma condição necessária para se merecer a confiança do mer­cado, mas estão longe de serem suficientes.

A forma como chegamos aos resultados que entregamos e o respeito por critérios ambientais e sociais que incorporamos nas nossas decisões de negócio são fun­damentais. E, na última década, a presença de Jerónimo Martins em muitos dos principais índices internacionais de sustentabilidade é, para accionistas e colaboradores, simultaneamente fonte de respon­sabilidade acrescida e de orgulho.

A história das últimas três décadas é uma história mais de altos do que de baixos, ainda que devamos a estes últimos muita da força e da resiliência com que nos habituámos a enfrentar os desafios. Ao longo do tempo, e sobretudo nos momentos de maior pressão, a estabili­dade conferida pela existência de um accionista maioritário de natu­reza familiar tem permitido à gestão nunca abdicar de um sentido de longo prazo e da centralidade dos valores nas tomadas de decisão.

Ao celebrar o momento em que assinalamos os 30 anos passados sobre um marco decisivo na história contemporânea de uma empresa cujas origens remontam ao final do século XVIII, procuramos também contribuir para o conhecimento e o reconhecimento da ligação indissociável entre o desenvolvimento da iniciativa privada e da economia e o mercado de capitais.

Pedro Soares dos Santos

Presidente e Administrador-Delegado